3.11.16

Resíduos

Ainda que seja tarde, te escrevo para dizer que ando bem, é claro que ainda sinto saudade e amor, mas estou melhorando, ando tendo problemas maiores do que isso que chamo de vida sentimental. O que consigo dizer sobre o agora é que por dentro nada mudou de forma radical, conheci novas pessoas, novas bocas, novos corpos, algo comum, socializei da forma que pude. Você sabe que faço isso bem, mas tenho o costume de evitar, talvez pelo fato do meu inconsciente ser egocêntrico e acreditar que nada vai mudar, pois as pessoas são vazias e não estou disposta a explicar nada sobre a minha vadiagem emocional à pessoa alguma. Essa minha vaidade é o que de fato me destrói, mas tive que fazer isso, não tive muitas escolhas: ou morria de amor, ou agonizava em silêncio, fique com a segunda opção, mas sempre desabafo em cartas, cartas mortas e abafadas que jamais terei coragem para te enviar! Guardo em mim a tua parte boa, o nosso passado feliz, as nossas tantas conversas, a paixão em versos tortos, o teu beijo com gosto de cigarro mentolado que eu tanto odiava, amo até o que um dia chamei defeito, sinto falta de você por completo, mas não do você atual, amo a tua lembrança, os nossos momentos carinhosos, mas não a tua transformação, a tua ideia atual... Infelizmente não fui capaz de acompanhar a tua mutação, mas ainda sim consigo dizer que te amo sem nenhum arrependimento.

Um comentário:

  1. "Amo a tua lembrança"
    E é uma verdade, apesar de muitos não acharem possível e prenderem-se a uma pessoa que já não amam mais. Perceber que não acompanhou a mutação do outro é a forma madura de superar o fim. Obrigada por colocar esse sentimento em palaavras. Adorei ler.

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